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📖 Coletânea de Poemas
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A Mão de Lázaro
Publicado em 22/02/2026 18:24 - Autor : Wapinou
Há homens feitos de pigmentos e ouro,
Que veem no silêncio um imenso tesouro.
Lázaro, o pincel mergulhado na luz,
Desenhava o invisível no seio da poeira que seduz.

Tentaram quebrar seus dedos e seu ímpeto,
Mas a alma de um artista é um rio em movimento.
Mesmo sob golpes e sombras geladas,
Ele mantinha no rosto suas belezas traçadas.

Amanhã, levantemos os olhos para o que nos cerca,
Para o brilho de uma linha, o traço que desperta.
É a festa daqueles que, apesar da tempestade,
Recusam baixar o coração ou a cabeça com verdade.

Que este São Lázaro seja como uma cor,
Que transforme em tela a menor de nossas dores.



O Brilho de Isabelle
Publicado em 21/02/2026 17:52 - Autor : Wapinou
Há neste nome um sopro de seda,
Um eco que desperta e espalha alegria que enreda.
Isabelle avança, entre sombra e luz,
Carregando em si um pouco do brilho das primeiras cruz.

Filha de rei, talvez, ou rainha do seu coração,
Ela preservou o espírito além da rigidez ou razão.
É uma flor-de-lis que se recusa a dobrar,
Uma mão que se estende sem jamais se apagar.

Amanhã, quando a manhã rasgar o chão,
Que o pássaro de fevereiro retome o seu vão.
O seu nome será dito como um presente a oferecer,
Para que o inverno desapareça em favor do viver.

Pois sob a Santa Isabelle, diz o velho ditado,
A beleza se prepara e sai de seu aprisionamento encantado.



O Silêncio e a Pena
Publicado em 20/02/2026 17:59 - Autor : Wapinou
Há manhãs em que se procura um abrigo,
Entre o couro curtido e a tinta da noite consigo.
Pierre Damien, o eremita de letras em chamas,
Sabia que o silêncio é uma linguagem que se chama.

Não usava máscara, oferecia suas feridas,
Transformando os espinhos em nobres vestidas.
Ele, o vigia da alma, o poeta esquecido,
Lembra-nos que, no fundo, nada está definido,
A não ser pelo coração e pelo peso da experiência,
Pela força do homem que jamais perde a essência.

Amanhã, levantemos o copo ou a pena,
Pela beleza do gesto, pelo sopro, pela cena.
Pois ao fim do caminho, quando o sistema desmorona,
Só sobra a sombra e o amor que nos responde e entona.



Santa Aimée
Publicado em 19/02/2026 18:10 - Autor : Wapinou
Amanhã carregará o teu nome
como se carrega uma luz
na palma das mãos.

Aimée.
Uma palavra simples,
e ainda assim vasta como o céu
quando hesita entre a aurora e o silêncio.

Tu não és apenas aquela que é chamada,
és aquela que se escolhe guardar,
aquela que deixa uma marca
sem barulho,
sem brilho inútil.

Há no teu nome
algo terno e forte,
um fio invisível
que liga corações
mesmo quando as distâncias persistem.

Aimée,
é a doçura que não cede,
a fidelidade sem alarde,
a coragem tranquila
de permanecer luz
quando outros se apagam.

Que este dia se pareça contigo:
claro sem arrogância,
forte sem dureza,
simples como uma verdade
que já não precisa ser provada.

E se houver algo a reter,
que seja isto:
ser amada
não é receber,
é irradiar
até que o mundo
não consiga mais fingir
que tu não existes.



São Gabin
Publicado em 18/02/2026 17:33 - Autor : Wapinou
Na sombra clara dos dias comuns,
Um nome se ergue, discreto, sem trovões.
Gabin, como um passo dado sem som,
Um coração fiel que atravessa a noite em dom.

Sem coroa de ouro, sem brilho de fama,
Mas retidão gravada na história que chama.
Manter-se firme quando tudo vacila,
Ser luz sem fazer barulho que exila.

São Gabin, força tranquila,
Raiz ancorada na cidade que brilha.
Ele não esmagaa, ele sustenta,
Não promete, ele mantém a crença.

Quando o mundo grita e se dispersa,
Ele escolhe o gesto simples, à inversa:
Uma mão estendida, um olhar verdadeiro,
Uma palavra que repara mais do que magoeiro.

Que este nome se torne caminho,
Não milagre, mas amanhecer sozinho.
Pois a santidade não é brilho,
É permanecer direito… quando se pode, passo a passo.



A Dama de Marfim
Publicado em 17/02/2026 19:49 - Autor : Wapinou
No segredo das florestas onde o silêncio escuta,
Onde o tempo se apaga e renuncia à sua ruta,
Uma luz desperta no coração dos velhos matagais,
Sopro de cristal preso na sombra do país leal.

Ela avança, soberana, tão leve,
O casco de diamante não ofende a terra que se eleve.
Seu manto é um sudário de neve e claridade,
Um brilho de estrela nua, devolvido à liberdade.

No meio da sua testa, espiral de mistério,
Ergue-se o único chifre, solitário e sério:
Não para brilhar como rainha, mas para cortar a escuridão,
Curar feridas, desfazer o veneno, com precisão.

Dizem que ela adormece no colo dos poetas,
Que foge dos olhares e das vãs conquistas netas.
Ela é o sonho antigo que se pensa ter segurado,
A beleza que permanece e não pode ser alcançado.

Ela passa e se vai, como uma névoa fina,
Deixando atrás de si o cheiro da flor de espinheiro;
E o homem que a vê, na curva de um caminho,
Guarda o ouro de sua alma na palma da mão com carinho.



O Eco de Lourdes
Publicado em 17/02/2026 19:27 - Autor : Wapinou
Nos Pirenéus, o vento trazia miséria,
Em Lourdes, um "Cachot" velava uma luz com sépia.
Bernadette, criança simples, de mãos rudes e puras,
Cuidava de seus cordeiros no coração das pasturas.

Dezoito vezes o Milagre, no interior da Gruta,
Uma Senhora, Estrela, além da abóbada oculta.
Sem pompa nem trono, uma mensagem de amor,
Sussurrada ao mundo, para todos os dias com ardor.

Ela não era senão um eco, um humilde “instrumento”,
Fugindo da fama, distante do firmamento.
Na sombra de Nevers, seu espírito se apagou,
Mas seu corpo, intacto, ao divino testemunhou.

Santa Bernadette, a alma de um coração simples,
Mostra-nos o caminho, a verdadeira doçura que implica.
Que sua fé nos guie, longe dos vãos brilhos,
Para o amor, a humildade e a paz nestes trilhos.